sábado, 2 de abril de 2011

Devaneios Enquanto Tomo Café-da-Manhã

Hoje no café-da-manhã: pão de queijo mineiro! Mas se eu estou em São Paulo e os ingredientes são paulistas, o pão de queijo continua sendo mineiro? Quem fez era lá de Minas, uai! Pãozin de queij. Ou melhor, foi um pão de queijo feito a quatro mãos, duas mineiras, duas paulistas; seria politicamente correto chamar de pão de queijo do “café com leite”.

E o café com leite? O pó de café e o leite são paulistas, mas a cafeteira é italiana. A embalagem do leite tem origem sueca e a caneca é feita na China... mas isto não vêm ao caso. Melhor só curtir o café italiano com leite paulista e beliscar o pão de queijo mineiro caseiro feito à 2MG + 2SP = 4 mãos. Fresquin, fresquin! NHAM NHAM!

Hoje, no café-da-manhã.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Pequenos contos reais envolvendo comidas ou comensalidade... (2)

Londres, 2008. Estava a procura de trabalho e havia deixado meus dados em diversas agências de emprego. Meu contato em uma delas era Pasquale, um italiano espalhafatoso - que talvez seja até redundante falar... Ele havia marcado uma entrevista para mim para o cargo de pastry chef num hotel bacana, mas houve um imprevisto, então ele ligou

- Rrrrrrenaaata, hellow. It’s Pasquaaale. Rrrrenaaata, yourrr interrrvill time changeah from ten eiéma to one piéma. Good lucka, Rrrrenaata!*

(* Renata, hello. It’s Pasquale. Renata, your interview time changed from 10am to 1pm. Good luck, Renata!)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Comunicação de Massa ao Sugo III

Neste terceiro episódio de Home-made Gastronomias, permanecemos em território nacional e demos uma escapadinha até a Bahia. De lá vem o sem igual Purê de Banana rústico com um Filé de Namorado Assado para acompanhar. Tudo bem simples e gostoso!

Em 2006, durante um verão inteiro trabalhando em Trancoso, acabei me tornando cliente assídua do restaurante Portinha, um sobrado rústico com mesas ao ar livre, à sombra de uma árvore centenária no charmoso e descolado Quadrado. Com direito a uma igrejinha barroca de costas para um mirante deslumbrante! Quem já esteve lá sabe do que eu estou falando...

Ao contrário dos outros pratos apresentados nessa série, este não foi aprendido. O resultado de seu sabor é que concluiu a lista de ingredientes e o método de cocção.

O Portinha – que também é encontrado em Arraial d’Ajuda e Porto Seguro – é um restaurante de comida caseira por quilo. Ideal para repor – com sustância! – as energias gastas em uma manhã na praia ou um longo dia de trabalho.

Apertem os cintos e bom apetite!

Para ver o vídeo, siga o link
http://www.youtube.com/watch?v=2rbdK0rihYU  



segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Pequenos contos reais envolvendo comidas ou comensalidade...

São Paulo, 2005. Trabalhava em um restaurante muito descolado, regido por uma badalada chef argentina.

Em um dia como outro qualquer, estava folheando um livro do Jamie Oliver e achei uma receita interessante. A receita dava as quantidades em medidas imperiais, tais como ounces, pints etc. Gostaria de saber as equivalências em medidas métricas e perguntei inocentemente à minha volta, quanto era uma “onça”.

Eis que um dos garçons, um figura gozador, com nome de ex-presidente americano, responde:

- Ué, você tá louca?! Uma onça são R$ 50!!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Comunicação de Massa ao Sugo II

Neste segundo episódio da série Home-made Gastronomias, vamos à França e provamos o delicioso Rôti Au Four avec Haricot Vert, feito por Natasha. Um filet mignon ao forno – com muita manteiga! - e vagens francesas salteadas. Segundo consta este é um prato bem popular, o arroz-feijão da França, que se come em todos os lares.

Na falta de alguns ingredientes originais pode-se fazer leves substituições, como vagens francesas por vagens “brasileiras” e manteiga por margarina, no entanto o resultado não será tão autêntico.

Apertem os cintos e bom apetite!

Para ver o vídeo, siga o link
http://www.youtube.com/watch?v=QRffQPkT4_k 






quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Comunicação de Massa ao Sugo

VÍDEO-PILOTO APRESENTA PRATOS DE VIAGENS, MESCLANDO GASTRONOMIA, COMUNICACAO, GEOGRAFIA, HISTORIA, BIOGRAFIA...

Quando o mundo da gastronomia e o mundo audio-visual se encontram podemos brindar e celebrar a integração de todos os sentidos por um só objetivo! A gastronomia utiliza o paladar por si só, mas também faz uso do tato e do olfato ao processar alimentos. As artes visuais encantam com a audição e visão. Tudo isso se integra de forma lúdica e, aliado à tecnologia nos dá um menu de opções para produzirmos a todo vapor!

Cozinhar não é tão simples como um click, mas divulgar o que cozinhamos, o que comemos e como fazemos pode ser tão gostoso quanto. Aproveitando a facilidade de publicar textos, fotos e vídeos online – nos sites de redes sociais, blogs e o próprio Youtube, um importante meio para divulgação – apresento um vídeo delicioso produzido de forma despretensiosa com o intuito de propagar conhecimentos do mundo gastronômico. Vídeo com gostinho de caseiro, que nem purê de batata empelotado da avó.

Neste encontro da gastronomia com a comunicação, há também o fator geográfico e histórico. Com o intuito de fazer uma série de vídeos, teremos convidados mostrando pratos de viagens que já fizeram de lugares diversos, sempre com alguma história para contar. Sejam histórias do mundo em geral ou em um contexto mais biográfico – uma história pessoal que se conecte ao prato/quitute apresentado.

Neste primeiro vídeo fomos ao Reino Unido e fizemos Scones, perfeito para saborear com geléia de morango e clotted cream no chá da tarde.

Apertem os cintos e bom apetite!

Para ver o vídeo, siga o link
http://www.youtube.com/watch?v=z5KjA5OKPmY 











segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Doce Vício Beatlelado

Ao gritar “--- Creme tangerine” após o alerta “You might not feel it now / But when the pain cuts through/ You’re going to know and how / The sweat is going to fill your head / When becomes too much / You’re going to shout aloud...” nota-se que o que George Harrison queria era mais! 

Savoy Truffle, música inspirada em um vício de seu amigo Eric Clapton por chocolates, pode ter na realidade um significado ambíguo. A música faz várias referências a doces em geral, que além de serem delícias, podem ser um bom cano de escape para a tristeza, dor de cotovelo e outros estados emocionais menos felizes... “Coconut fudge – really blows down those blues” O acúcar branco entra como uma forma descontraída - e faz referência a outro pó branco, a heroína.



O doce é uma vaidade, um mimo; comemos por querer mais do que precisar. Tudo pode parecer mais claro e tranquilo após comer uma reconfortante barra de chocolate. Quem afinal precisa de diamantes?? É uma reação calmante, pura química! O açúcar, entre outras substâncias pró-ativas que alteram nosso estado de espírito, nos faz querer mais e mais... - Creme tangerine!




trufa de chocolate
Ora, se uma simples barra nos faz sentir um degrau acima, por que então não pular uns dez degraus de uma vez e nos sentir no topo do mundo? “You know that what you eat you are” - Açúcar como combustível! Aí é que está: quando consumido em demasia o açúcar pode atingir um estado conhecido como sugar blues - como mencionado por William Dufty no livro “Sugar Blues”, onde ele defende a idéia de que os efeitos sensoriais do açúcar são, na realidade, de fácil comparação a drogas sintéticas; quanto maior a satisfação que traz, mais e mais será necessário para suprir essa confortável sensação, mesmo que esta seja tão fugaz quanto o derreter do chocolate em nossa boca “But what is sweet now, turns so sour–”... Os efeitos colaterais a longo prazo podem acarretar em doenças degenerativas, como diabetes e dentes decadentes. Já a heroína pode acarretar em outras degenerações menos felizes ainda...




No entanto Savoy Truffle não é um amargo Blues, é uma música doce com melodia alegre. “A coffee dessert – yes you know its good news” Enquanto Clapton era capaz até de tocar guitarra segurando um caramelo, por seu incontrolável vício, Harrison mesmo estando na fissura, consegue se controlar um pouquinho sentindo o “barato” só de pensar nos sabores por vir: um creme de cerejas daqueles e uma boa torta de maçã “I feel your taste all the time we’re apart”.

trufa subterrânea

E o que acontece depois de comer trufas de Sabóia? A trufa é originalmente um cogumelo subterrâneo de formato irregular e possui aparência suja, pois quando é encontrada ainda está coberta de terra. É descrita como sendo o diamante da cozinha, por seu sabor e características únicos. As trufas de chocolate lembram as originais em formato e aparência. Seria esse então o verdadeiro diamante, o caramelo que une a amizade desses dois amantes da música e de tantas guloseimas? Os dentes de Clapton provavelmente não resistiriam. A sobriedade toma conta de Harrison após Savoy, o último bombom da caixa. O açúcar subiu-lhes a cabeça! Então é hora de deixar tudo pra lá “You’ll have to have them all pulled out after the Savoy truffle”.